Agenda MDC Dezembro 2011


03/12 - Rio Scenarium-RJ
10/12 - Bar do Tom* (participação especial: Marcos Sacramento)
16/12 - Casa Rosa -RJ*
17/12 - Teatro Odisseia - RJ*

* Para entrar para a lista amiga, envie nome/sobrenome para blocomulheresdechico@gmail.com até às 16h do dia do show. Lembre-se de indicar no e-mail a data do show.

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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Elas são Mulheres de Chico, mas filhas do Pedro e do Rodrigo

"Elas são Mulheres de Chico, mas filhas do Pedro e do Rodrigo.

Quem são vocês, morenas de Angola que levam o chocalho amarrado na canela,
que estavam à toa na vida, entre deusas e bofetões, entre dados e coronéis, entre parangolés e patrões, e que, - com açúcar, com afeto -, balançaram a maré, fizeram a poeira assentar no chão, fizeram a praça virar um salão?

Não são as Anas dos diques das docas, nem mesmo as Joanas francesas, as Bárbaras, as Carolinas, as Renatas Marias e muito menos as Anas de Amsterdan.

Elas são todas, Mulheres de Chico, sim, mas também filhas do Pedro e do
Rodrigo. O novo carnaval de rua da zona sul carioca mudou de mão. E está
em boas mãos.

Excluído do sambódromo e dos camarotes das grandes cervejarias, o carioca
classe média da zona sul do Rio não teve outra opção, a não ser, aprender
a fazer o seu próprio carnaval. E aprendeu direitinho. Quem tem
acompanhado o carnaval no Rio nos últimos anos é testemunha dessa
renovação. Tendo como mestres e como inspiração o Pedro Luiz e músicos do
Monobloco, e o Rodrigo Maranhão e músicos do Bangalafumenga, pioneiros na musicalização e formação de batuqueiros na zona sul. Eles trouxeram pra o asfalto aquilo que os jovens dos morros do Rio já sabiam há muito tempo: que o brasileiro tem ginga de sobra. E o que se viu a partir daí foi a enorme proliferação de oficinas de percussão pela cidade e a moçada da zona sul, - criada a Toddy ou não, mapeada pelo Google Earth,portadora dos mais novos modelos Apple I Pod Touch /Nano/Classic / Shuffle -, aprendeu com quantos surdos, caixas, repiques, tamborins, agogôs,cuícas e chocalhos se faz uma boa bateria.

Existe uma mudança de comportamento, uma revolução silenciosa feita por
jovens advogados, fisioterapeutas, publicitários, jornalistas, dentistas,
arquitetos,engenheiros,estudantes, homens e meninos ao melhor estilo Osklen, mulheres e meninas de chapinha, com escovas progressivas e inteligentes, piercings, tatuagens, gloss, blush, curvadores de cílios, e o diabo a quatro, - que durante o ano inteiro se preparam ao som de samba, coco, funk, quadrilha, ciranda, marcha, congo, maracatu, com um único objetivo: ser um batuqueiro no carnaval. Desafio a alguém sentar num bar pé limpo desses de grife entre Copacabana e o Leblon e não encontrar pelo menos um batuqueiro. Se há 15 anos atrás, se familiarizar com os instrumentos de uma escola de samba era um privilégio das comunidades dos morros e da periferia, o que se vê hoje é uma mudança de atitude e isso talvez explique parte do sucesso e as verdadeiras multidões que surgiram para acompanhar os cortejos dos blocos de carnaval. Não é só isso, mas é uma possibilidade.

Fazer a maratona dos blocos virou a grande opção de entretenimento bom e barato, e as listas começam a circular na internet semanas antes do período da folia. Bem longe das celebridades seminuas da Sapucaí e dos DJs dos camarotes vips, o carioca que gosta de carnaval tá batendo é tambor. E amarradão! Se por um lado a população se prepara ensaiando o ano inteiro o repertório para a folia momesca, o mesmo não pode se dizer dos nossos governantes. Um misto de cegueira e incompetência por parte deles fez chover cartas nas redações dos jornais e nos blogs da internet denunciando a falta de infra-estrutura da cidade para um carnaval de rua que só tende a crescer.

No último sábado na praça Antero do Quental, no coração do Leblon, foi a vez delas, as meninas do bloco as Mulheres de Chico (que só cantam e tocam músicas do Chico Buarque), mostrarem sob o comando do músico Valmir Ribeiro, do Farofa Carioca, que têm samba de sobra e que quem sabe sambar que entre na roda e que mostre o gingado.

Foi lindo demais! Ai, que vida boa, olerê. Ai, que vida boa, olará. Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão e vamos botar água no feijão!!!

Chico, Pedro, Rodrigo, por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui.
Deus lhes pague.

Suzana Vasconcelos, publicitária e batuqueira no carnaval."

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